No dia a dia
O que é, em palavras simples
Uma família pode estar acima da linha de renda e sem saneamento, escola ou saúde ao alcance: é pobre? A abordagem das capacidades de Amartya Sen (termo deste pilar) diz que sim, e o método Alkire-Foster é a régua que converte a tese em número, medindo a pobreza em várias dimensões ao mesmo tempo. No Brasil, a aplicação documentada dessa régua tem nomes, e Carine de Almeida Vieira, economista formada na UFSM (graduação e mestrado em Economia e Desenvolvimento), assina uma delas: a medição da pobreza multidimensional no Rio Grande do Sul (2000-2010), publicada na revista Planejamento e Políticas Públicas, do IPEA.
No seu bolso
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01
Sen e as capacidades
Pobreza é privação, não só renda
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02
Alkire-Foster
A régua multidimensional decomponível
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03
RS 2000-2010
A aplicação publicada no IPEA
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04
Política social
Medir decide quem o Estado enxerga
Indo mais fundo
Como funciona
O método e o estudo
O Alkire-Foster (da Oxford Poverty and Human Development Initiative, a oficina de Sabina Alkire ligada à tradição de Sen) identifica quem é pobre por privações simultâneas (educação, saúde, padrão de vida) e agrega num índice decomponível: dá para saber não só quantos são pobres, mas em quê, e onde. A aplicação ao Rio Grande do Sul na década 2000-2010, documentada no artigo do IPEA e na dissertação da UFSM, é exemplo do trabalho que converte censo em mapa de privações, a matéria-prima de qualquer política social séria.
A trajetória
O percurso documentado segue o padrão desta leva: a formação na linha de desenvolvimento de Santa Maria, a pesquisa aplicada com publicação em veículo institucional de primeira linha, e o doutorado em curso (Ciências Humanas e Sociais, UFABC), com atuação registrada em análise de dados, a ponte entre a economia do desenvolvimento e a prática quantitativa que o mercado e a política pública disputam.
Visão técnica
A leitura da escola Institucional
O perfil intelectual, em atribuição indireta fiel às fontes públicas: a aplicação do Alkire-Foster ao caso gaúcho insere a pesquisa na linhagem mais operacional da abordagem das capacidades, a que vai de Sen e ul Haq (o IDH do nosso acervo) ao Índice de Pobreza Multidimensional global do PNUD e às versões nacionais que países como México e Colômbia adotaram como régua oficial de política social, debate vivo no Brasil, onde a medição oficial ainda é majoritariamente de renda e o Cadastro Único opera, na prática, como proxy multidimensional sem o nome. Estudos subnacionais como o publicado no PPP/IPEA são a infraestrutura desse debate: demonstram a viabilidade da régua com dados brasileiros e expõem o que a linha de renda esconde, privações que persistem onde a renda sobe.
Registro de pesquisadora em atividade, pelo protocolo da casa: cobre a obra pública documentada (artigo no PPP/IPEA, repositório da UFSM, perfis públicos), sem biografia além das fontes, e será expandido conforme a obra. Fecha a leva do corredor UFSM-UFPR com a ponta aplicada: da metodologia (Brites) e da firma (Martinelli) à medição que decide quem a política social enxerga.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que medir pobreza é detalhe técnico
Opor renda e multidimensional
Veja também
Conceitos conectados
Instituições
As regras do jogo de uma sociedade, formais (leis) e informais (costumes), que moldam incentivos e ajudam a explicar por que alguns países prosperam.
Desigualdade
A distribuição desigual de renda ou riqueza numa sociedade, medida por índices como o de Gini: um número entre a igualdade total e a concentração absoluta.
Economia institucional
A escola que põe as instituições, as regras formais e informais que organizam a sociedade, no centro da explicação de por que alguns países prosperam e outros não.
IDH
O índice da ONU que mede o desenvolvimento de um país combinando saúde, educação e renda, criado para mostrar que progresso é mais do que crescimento do PIB.
Amartya Sen
O indiano (1933-) que redefiniu pobreza e desenvolvimento: não falta de renda, mas de capacidades e liberdades. Pai intelectual do IDH, Nobel de 1998.
Adriano José Pereira
O professor titular da UFSM que pesquisa inovação, instituições e desenvolvimento: o institucionalismo aplicado à economia brasileira, com livro publicado e a escola de Santa Maria.
Pobreza
A insuficiência de recursos para um padrão mínimo de vida. A pergunta difícil não é essa: é onde traçar a linha que separa quem é pobre de quem não é, e quem traça.
Solange Regina Marin
A professora da UFSC que pesquisa desenvolvimento pela ótica das capacitações de Amartya Sen: economia institucional, desigualdade, pobreza e economia feminista no mesmo programa.
Ednalva Felix das Neves
A professora da UFSM que pesquisa economia popular, social e solidária: a tradição da economia substantiva de Polanyi e a política social em produção brasileira, da tecnologia social à inovação social.
Sibele Vasconcelos de Oliveira
A professora da UFSM que pesquisa economia social, agronegócio e sistemas agroalimentares: o desenvolvimento rural, a agricultura familiar e a pobreza lidos como economia, em produção brasileira.
Perguntas frequentes
O que pesquisou Carine de Almeida Vieira? +
A medição multidimensional da pobreza pelo método Alkire-Foster, aplicada ao Rio Grande do Sul (2000-2010), com publicação na revista Planejamento e Políticas Públicas do IPEA: a régua herdeira de Amartya Sen que identifica privações simultâneas além da renda. Formação em Economia pela UFSM.
O que é o método Alkire-Foster? +
A metodologia da Oxford Poverty and Human Development Initiative que mede pobreza por privações simultâneas (educação, saúde, padrão de vida) num índice decomponível por dimensão e região: é a abordagem das capacidades de Sen convertida em estatística operacional, base do IPM global do PNUD.
Fontes e referências
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