Por que a economia planejada não consegue calcular preços?
Em 1920, Mises lançou um desafio: sem mercado, como um planejador saberia o que vale a pena produzir? O problema do cálculo econômico e por que ele ainda importa.
Desemprego zero não é meta de ninguém. A curva de Phillips prometia trocar inflação por emprego; Friedman mostrou que a troca é só temporária e existe uma taxa natural.
Pode soar estranho, mas nenhum economista persegue desemprego zero. Numa economia viva, sempre há gente entre um emprego e outro, trocando de carreira, ou cujas qualificações não batem com as vagas abertas. Esse desemprego de rotatividade é normal e até saudável: ele é o sinal de uma economia que se ajusta. O que existe é uma taxa mínima em torno da qual o desemprego oscila, abaixo da qual é difícil ir sem gerar outros problemas.
Em 1958, o economista A. W. Phillips observou uma relação histórica: quando o desemprego caía, a inflação subia, e vice-versa. A leitura virou a curva de Phillips, e dela nasceu uma tentação de política: bastaria aceitar um pouco mais de inflação para comprar menos desemprego, de forma permanente. Por um tempo, governos trataram isso como um cardápio do qual era só escolher.
O monetarista Milton Friedman, Nobel de 1976, contestou essa leitura no fim dos anos 1960. Para ele, existe uma taxa natural de desemprego determinada por fatores reais (instituições, qualificação, rotatividade). Tentar empurrar o desemprego abaixo dela com mais inflação só funciona enquanto as pessoas são pegas de surpresa; assim que elas passam a esperar a inflação, ela some do efeito e sobra apenas o aumento de preços. Não haveria, portanto, uma troca permanente, apenas inflação maior com o mesmo desemprego de antes.
A conclusão prática é desconfortável para os dois lados. Contra o otimismo keynesiano, Friedman avisa que estimular a demanda sem parar não derruba o desemprego para sempre, apenas acelera os preços, raciocínio que conversa com o nosso texto sobre por que imprimir dinheiro gera inflação. Mas, contra o pessimismo, baixar a taxa natural é possível: com educação, qualificação e menos atrito para formalizar, atacando justamente os problemas do mercado de trabalho dividido. A leitura keynesiana, que enxerga o desemprego por falta de demanda, está no nosso texto sobre por que há desemprego com a economia crescendo.
A inflação é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário.
Perguntas frequentes
É o nível de desemprego que persiste mesmo com a economia em equilíbrio, determinado por fatores reais como rotatividade, qualificação e instituições do mercado de trabalho. Para Friedman, tentar empurrar o desemprego de forma duradoura abaixo dela só gera inflação.
É a relação, observada por A. W. Phillips em 1958, entre inflação e desemprego: quando um sobe, o outro tende a cair. A leitura original sugeria uma troca permanente, mas Friedman e a experiência dos anos 1970 mostraram que essa troca não se sustenta no longo prazo.
Dá, mas não com inflação de forma permanente. A taxa natural pode ser reduzida atacando suas causas reais: educação, qualificação profissional e menos barreiras para formalizar o trabalho. É um caminho mais lento, porém duradouro.
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