Por que perder dói mais do que ganhar agrada?
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Dar dinheiro a quem tem pouco ajuda a sair da pobreza ou ensina a depender? A economia testou a pergunta com experimentos, e a resposta contraria o senso comum.
Sempre que se fala em transferir dinheiro a quem tem pouco, volta a mesma desconfiança: isso não acomoda as pessoas e as afasta do trabalho? A pergunta é legítima, e por muito tempo foi respondida no grito, com ideologia no lugar de dados. A economia do desenvolvimento decidiu testá-la a sério.
A ferramenta é o experimento aleatório controlado, o mesmo método dos testes de medicamentos: sorteia-se quem recebe o benefício (o grupo de tratamento) e quem não recebe (o grupo de controle) e comparam-se os dois ao longo do tempo. Como o sorteio torna os grupos parecidos em tudo o mais, a diferença que aparece depois pode ser atribuída ao benefício. Foi por levar esse método à luta contra a pobreza que Abhijit Banerjee e Esther Duflo dividiram o Nobel de Economia de 2019. A nossa resenha de Poor Economics conta essa história.
Em 2017, Banerjee e colegas reanalisaram sete desses experimentos, em seis países, e não encontraram evidência sistemática de que as transferências reduzam o trabalho, nem entre homens nem entre mulheres. O acúmulo de avaliações de impacto aponta na mesma direção: o "efeito preguiça", tão repetido no debate, não aparece nos dados. As pessoas usam o dinheiro para comer melhor, manter os filhos na escola e, muitas vezes, para procurar trabalho com menos desespero.
No Brasil, os programas sociais reduzem de forma mensurável a desigualdade: sem eles, o Gini medido seria mais alto, como mostra a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE. Isso não significa que transferir renda resolva tudo: o benefício alivia a privação imediata, mas precisa caminhar junto com educação, saúde e oportunidades de trabalho para que a saída da pobreza seja duradoura, como argumenta o nosso panorama da desigualdade no Brasil.
Perguntas frequentes
A evidência experimental disponível não sustenta essa ideia. A reanálise de sete experimentos em seis países, liderada por Abhijit Banerjee, não encontrou redução sistemática do trabalho entre quem recebeu transferências.
É um método em que se sorteia quem recebe uma política (grupo de tratamento) e quem não recebe (grupo de controle). Como o sorteio deixa os grupos parecidos, a diferença observada depois pode ser atribuída à política. É o mesmo princípio dos testes de medicamentos.
Não. Ela alivia a privação imediata e reduz a desigualdade, mas a saída duradoura da pobreza depende também de educação, saúde e oportunidades de trabalho. As políticas funcionam melhor combinadas.
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