Por que a escola austríaca desconfia de quem promete planejar a economia?
De Menger a Hayek, a escola austríaca parte de uma só intuição: o conhecimento que a economia precisa está disperso em milhões de cabeças, e nenhum planejador o reúne.
Medir pobreza só pela renda engana. Para Amartya Sen, ser pobre é estar privado de capacidades básicas, e não apenas ter pouco dinheiro.
A forma mais comum de medir pobreza é traçar uma linha de renda: quem ganha abaixo dela é considerado pobre. É simples e útil, mas engana. Duas pessoas com a mesma renda podem ter vidas muito diferentes se uma tem acesso a saúde e escola e a outra não. A renda diz quanto se tem, não o que se consegue de fato realizar com isso.
O economista indiano Amartya Sen, Nobel de Economia de 1998, propôs olhar para o que as pessoas conseguem ser e fazer: estudar, ter saúde, participar da vida pública, escolher a vida que valorizam. Ele chamou isso de capacidades. A renda é um meio, não um fim: o que importa é a liberdade real que ela permite alcançar.
O IDH, da ONU, foi uma primeira tentativa de ir além da renda, somando educação e expectativa de vida. As medidas de pobreza multidimensional acrescentam moradia, saneamento e acesso a serviços. O retrato fica mais honesto: há quem não seja pobre só pela renda, mas viva privado de capacidades básicas.
Se pobreza é privação de capacidades, combatê-la não se resume a transferir dinheiro, embora isso ajude, como mostra a evidência sobre transferência de renda. É preciso garantir escola, saúde e oportunidades. Foi essa pergunta que a economia experimental levou a campo, tema da nossa resenha de Poor Economics. O panorama geral está no nosso explainer sobre a desigualdade no Brasil.
A pobreza deve ser vista como privação de capacidades básicas, e não meramente como baixa renda.
Perguntas frequentes
A pobreza de renda olha só quanto a pessoa ganha. A privação de capacidades, ideia de Amartya Sen, olha o que ela consegue de fato realizar: ter saúde, estudar, participar da vida pública. Renda baixa costuma vir junto, mas as duas coisas não são idênticas.
O Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU, combina renda, educação e expectativa de vida num único indicador. Foi uma forma de medir desenvolvimento além do dinheiro, inspirada na ideia de que o que importa é a vida que as pessoas conseguem levar.
Adianta, e a evidência mostra que reduz pobreza e desigualdade. Mas, na visão das capacidades, a saída duradoura também depende de saúde, educação e oportunidades. Dinheiro é parte da solução, não a solução inteira.
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