Por que a economia planejada não consegue calcular preços?
Em 1920, Mises lançou um desafio: sem mercado, como um planejador saberia o que vale a pena produzir? O problema do cálculo econômico e por que ele ainda importa.
Juro alto atrai dólar e valoriza o real, ajudando a segurar a inflação. Mas o trilema de Mundell mostra por que o país não pode controlar câmbio, capital e juros de uma vez.
Boa parte do que o Brasil consome tem algum componente importado, do trigo ao combustível, dos eletrônicos aos insumos industriais. Quando o câmbio se desvaloriza e o dólar sobe, esses produtos ficam mais caros em reais, e a inflação sente. Por isso a política monetária não pode ignorar a moeda: o câmbio é uma das vias pelas quais os preços externos entram na economia doméstica.
Existe uma ligação direta entre juros e câmbio. Quando a Selic sobe, aplicar no Brasil rende mais, o que atrai capital estrangeiro em busca de um juro real maior. Esse fluxo de dólares para dentro tende a valorizar o real, o que barateia importados e ajuda a segurar a inflação. Ou seja, o juro combate a inflação por dois caminhos ao mesmo tempo: esfriando a demanda interna e influenciando o câmbio.
Aqui entra uma das ideias mais elegantes da macroeconomia aberta. O economista Robert Mundell, Nobel de 1999, mostrou que um país não pode ter as três coisas ao mesmo tempo: câmbio fixo, livre movimento de capital e uma política de juros autônoma. É o trilema, ou trindade impossível. Pode-se escolher quaisquer duas, mas a terceira escapa. Quem fixa o câmbio e abre a conta de capital, por exemplo, perde o controle sobre os próprios juros.
O Brasil optou por deixar o câmbio flutuar e manter o capital livre, justamente para preservar uma política de juros autônoma, voltada à meta de inflação. A consequência é que o país não controla o valor do dólar: ele varia com o humor dos mercados, e o Banco Central só intervém para suavizar oscilações bruscas. É o preço, coerente, de poder usar a Selic para perseguir a meta, como explica o panorama do controle da inflação e o texto sobre por que os juros derrubam a inflação. O câmbio também afeta o comércio exterior, tema de tarifas comerciais.
Perguntas frequentes
Boa parte do que o país consome tem componente importado. Quando o dólar sobe, esses produtos e insumos ficam mais caros em reais, e isso se espalha pelos preços. Por isso o câmbio é uma das vias pelas quais a inflação externa entra na economia.
Porque aplicar no Brasil passa a render mais, atraindo capital estrangeiro em busca de juro real maior. Esse fluxo de dólares para dentro do país tende a valorizar o real, o que barateia importados e ajuda a segurar a inflação.
É a constatação de que um país não pode ter, ao mesmo tempo, câmbio fixo, livre movimento de capital e uma política de juros autônoma. Pode escolher duas dessas três, mas não as três. O Brasil escolheu câmbio flutuante e capital livre, para manter juros autônomos.
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Em 1920, Mises lançou um desafio: sem mercado, como um planejador saberia o que vale a pena produzir? O problema do cálculo econômico e por que ele ainda importa.
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