Por que a escola austríaca desconfia de quem promete planejar a economia?
De Menger a Hayek, a escola austríaca parte de uma só intuição: o conhecimento que a economia precisa está disperso em milhões de cabeças, e nenhum planejador o reúne.
O Banco Central não imprime nem recolhe cédulas a cada decisão: ele controla o preço do dinheiro. Como meta, juros e expectativas se encaixam para domar a inflação no Brasil.
A inflação é a perda contínua do poder de compra do dinheiro: o mesmo salário compra menos a cada mês. Controlá-la é a principal tarefa de um banco central moderno, porque inflação alta corrói salário, desorganiza o investimento e pune mais quem é pobre, que não tem como se proteger. Antes de ver como o Brasil faz isso, vale entender de onde os preços sobem, assunto do nosso explicador sobre por que os preços sobem.
A escola monetarista, associada a Milton Friedman, resume o diagnóstico: no fundo, inflação é dinheiro demais correndo atrás de bens de menos. Daí a famosa tese de Friedman de que a inflação é, em essência, um fenômeno monetário. O banco central não imprime nem recolhe cédulas a cada decisão, mas controla o preço do dinheiro, ou seja, os juros. Quando encarece o crédito, esfria a procura; quando o barateia, aquece. É por isso que a taxa Selic é a alavanca central da política monetária.
O extremo oposto, financiar gastos imprimindo moeda, é o caminho mais curto para a inflação descontrolada, como mostra o nosso texto sobre por que imprimir dinheiro gera inflação.
Por um processo contínuo de inflação, os governos podem confiscar, secreta e despercebidamente, uma parte importante da riqueza de seus cidadãos.
O controle da inflação no Brasil se apoia em três peças que se encaixam. A primeira é uma meta de inflação pública e numérica, que diz aonde a inflação deve chegar, tema do nosso texto sobre o sistema de metas. A segunda é a Selic, o juro que o Copom sobe ou desce para perseguir a meta, mecanismo detalhado em por que subir os juros derruba a inflação. A terceira são as expectativas: se as pessoas e as empresas acreditam que a meta será cumprida, elas próprias remarcam menos os preços, e a inflação cede com menos esforço.
Para que essas expectativas sejam levadas a sério, o banco central precisa de credibilidade, e por isso o Brasil deu autonomia formal ao seu, assunto de por que o Banco Central é independente. E como o país é aberto ao mundo, o dólar entra na conta: a ligação entre juros e câmbio aparece em por que o Brasil não controla dólar e juros ao mesmo tempo.
O instrumento é o mesmo, o juro, mas as escolas leem o efeito de modos distintos. Para os monetaristas, o que importa no longo prazo é a quantidade de moeda, e tentar usar o juro para domar o desemprego só gera inflação. Para os keynesianos, o juro age sobretudo pela demanda: juro alto esfria o consumo e o investimento, derrubando preços, mas também a atividade. Esse contraste é o coração do clássico debate Hayek x Keynes; para situar as correntes, veja o guia das escolas econômicas. As regras do regime brasileiro estão no site do Banco Central.
Perguntas frequentes
Não é assim que ele atua no dia a dia. A principal ferramenta é a taxa de juros (a Selic): subindo-a, encarece o crédito e esfria a procura, o que segura os preços. Financiar gastos imprimindo moeda é justamente o caminho que gera inflação descontrolada.
Porque a inflação corrói salários e poupança, desorganiza o investimento e pune mais quem é pobre, que não tem como se proteger. Preços estáveis são a base para a economia planejar e crescer.
Ambos usam o juro, mas com ênfases diferentes. Os monetaristas enfatizam a quantidade de moeda no longo prazo; os keynesianos enfatizam o efeito do juro sobre a demanda, o consumo e o investimento de curto prazo. As duas leituras coexistem na prática dos bancos centrais.
É o que pessoas e empresas acreditam que a inflação será no futuro. Se confiam que a meta será cumprida, remarcam menos os preços e pedem reajustes menores, o que faz a inflação ceder com menos esforço. Por isso a credibilidade do Banco Central é tão valiosa.
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De Menger a Hayek, a escola austríaca parte de uma só intuição: o conhecimento que a economia precisa está disperso em milhões de cabeças, e nenhum planejador o reúne.
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