Por que perder dói mais do que ganhar agrada?
A dor de perder 100 reais é quase o dobro do prazer de ganhar 100. A aversão à perda, descoberta por Kahneman e Tversky, explica erros clássicos de quem investe.
Um número público que o Banco Central promete cumprir. Por que uma meta de inflação ancora as expectativas e por que regra crível vence a decisão caso a caso.
O regime de metas de inflação funciona como um compromisso público e numérico: a autoridade anuncia aonde a inflação deve chegar e se responsabiliza por levá-la até lá. No Brasil, o Conselho Monetário Nacional define a meta e o Banco Central tem o dever de persegui-la com a Selic. O valor é medido por um índice oficial de preços, o IPCA, e vem com uma margem de tolerância, porque nenhum banco central acerta o número na vírgula.
Uma meta crível ancora as expectativas. Se trabalhadores, empresas e investidores acreditam que a inflação vai convergir para a meta, eles pedem reajustes menores e remarcam menos os preços. A inflação, então, cede em parte porque as pessoas esperam que ela ceda. É uma profecia que se ajuda a cumprir, e o oposto do que ocorre quando ninguém confia no número.
Por que amarrar a autoridade a uma meta, em vez de deixá-la decidir caso a caso? Os economistas Finn Kydland e Edward Prescott, Nobel de 2004, mostraram o problema da inconsistência temporal: um governo sempre tem a tentação de prometer inflação baixa e, depois, criar uma inflaçãozinha a mais para estimular a economia no curto prazo. Como todos sabem disso, a promessa perde valor. A saída é submeter-se a uma regra crível, e a meta de inflação é exatamente isso.
O Brasil adotou o sistema de metas em 1999, e ele é o pilar do controle de preços desde então. A meta vigente, hoje em torno de uma faixa baixa de um dígito ao ano, é sempre publicada e atualizada pelo Banco Central. Quando a inflação ameaça furar o teto, o Copom sobe a Selic, mecanismo detalhado em por que subir os juros derruba a inflação. O quadro completo está no panorama do controle da inflação.
A inflação é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário.
Perguntas frequentes
É um número, definido pelo Conselho Monetário Nacional e perseguido pelo Banco Central, para onde a inflação medida pelo IPCA deve convergir, com uma margem de tolerância. O valor vigente muda ao longo do tempo e é sempre publicado pelo Banco Central.
É a tentação, mostrada por Kydland e Prescott, de prometer inflação baixa e depois descumprir para estimular a economia no curto prazo. Como todos antecipam isso, a promessa perde valor. A solução é submeter-se a uma regra crível, como a meta de inflação.
Em geral, o Banco Central sobe a Selic para esfriar a demanda e trazer a inflação de volta, e precisa prestar contas publicamente do desvio. O objetivo é preservar a credibilidade do regime, que é o que faz as expectativas se manterem ancoradas.
Termos abordados
Sua conta gratuita
Salve termos, marque trechos e acompanhe seu progresso.
Crie uma conta grátis para favoritar conceitos, guardar trechos e ganhar pontos enquanto aprende economia.
Receba o dicionário no e-mail
Um conceito de economia explicado por semana.
Confirmação por e-mail (double opt-in). Sem spam, cancele quando quiser.
Continue entendendo
A dor de perder 100 reais é quase o dobro do prazer de ganhar 100. A aversão à perda, descoberta por Kahneman e Tversky, explica erros clássicos de quem investe.
O que já vem marcado costuma prevalecer, da doação de órgãos à aposentadoria. Como os nudges de Thaler usam isso a favor, e como o mesmo truque pode ser usado contra você.
Gastamos o 13º com mais leveza que o salário, embora seja tudo a mesma conta. A contabilidade mental de Thaler explica as caixinhas que a mente cria, e como usá-las a favor.