Por que a escola austríaca desconfia de quem promete planejar a economia?
De Menger a Hayek, a escola austríaca parte de uma só intuição: o conhecimento que a economia precisa está disperso em milhões de cabeças, e nenhum planejador o reúne.
Um número entre 0 e 1 promete resumir a desigualdade de um país inteiro. Como o índice de Gini faz isso, o que ele não enxerga e por que o do Brasil quase não cede.
O índice de Gini transforma toda a distribuição de renda de um país em um único número entre 0 e 1. Em 0, todos ganhariam exatamente o mesmo; em 1, uma única pessoa concentraria tudo. Quanto mais perto de 1, mais desigual. O nome vem do estatístico italiano Corrado Gini, que propôs a medida em 1912.
Por trás do Gini está a curva de Lorenz: um gráfico que ordena a população do mais pobre ao mais rico e mostra, a cada fatia, quanto da renda total ela detém. Numa sociedade perfeitamente igual, essa curva seria uma linha reta. Quanto mais a realidade se afasta dessa reta, maior a área entre as duas linhas, e maior o Gini. O índice é, em essência, o tamanho dessa área.
O Brasil figura entre os países de Gini mais alto do mundo. O número vem recuando nos últimos anos, puxado por programas sociais e pela renda do trabalho, mas a queda é lenta porque a concentração é estrutural: ela vem de como a renda e a propriedade se distribuíram ao longo da história, tema que o nosso panorama da desigualdade no Brasil desenvolve.
Todo resumo perde informação, e o Gini não é exceção. Ele é pouco sensível ao que acontece no topo extremo: dois países com o mesmo Gini podem ter situações muito diferentes no 1% mais rico, ponto central da obra de Thomas Piketty. Por isso o índice costuma ser lido junto com a fatia de renda do topo, com a renda per capita e com medidas de pobreza. Como lembrava Amartya Sen, escolher como medir a desigualdade já é, em si, uma decisão de valor: cada índice ilumina um aspecto e deixa outro na sombra.
Perguntas frequentes
As duas formas existem e dizem o mesmo. Na escala de 0 a 1, o Brasil fica em torno da casa dos 0,5; alguns relatórios multiplicam por 100 e falam em torno de 50. O que importa é a distância para os extremos: 0 é igualdade total, o teto é concentração total.
Não necessariamente. O Gini mede como a renda é distribuída, não o tamanho dela. Um país pode crescer e ficar mais desigual, ou reduzir a desigualdade sem crescer muito. São perguntas diferentes.
Porque o Gini é um resumo e pode esconder onde está a desigualdade. Ele é pouco sensível ao topo extremo: a concentração no 1% mais rico pode variar bastante entre países com Gini parecido. Por isso ele é complementado por outras medidas.
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