Por que a escola austríaca desconfia de quem promete planejar a economia?
De Menger a Hayek, a escola austríaca parte de uma só intuição: o conhecimento que a economia precisa está disperso em milhões de cabeças, e nenhum planejador o reúne.
Os clássicos achavam que o desemprego se corrigia sozinho. Keynes mostrou que pode faltar demanda, não vontade de trabalhar, e que esperar o longo prazo tem um custo.
Para os economistas clássicos, o desemprego em massa não deveria durar. Se há gente sem trabalho, os salários cairiam até que contratar voltasse a valer a pena, e o mercado se reequilibraria. Nessa visão, o desemprego prolongado seria sobretudo voluntário: quem não trabalha é porque recusa o salário oferecido. A solução, portanto, seria deixar os preços e salários se ajustarem livremente.
A Grande Depressão dos anos 1930, com filas de desempregados dispostos a trabalhar por qualquer salário, abalou essa certeza. John Maynard Keynes ofereceu outra explicação na sua Teoria Geral, de 1936: o emprego depende da demanda efetiva, ou seja, do total que famílias, empresas e governo estão dispostos a gastar. Se a demanda agregada é fraca, as empresas vendem menos, produzem menos e contratam menos, e o desemprego persiste mesmo havendo gente querendo trabalhar. À ideia clássica de que, no longo prazo, o mercado se ajusta sozinho, Keynes já havia respondido com a frase que ficou célebre.
A grande contribuição de Keynes foi mostrar que pode existir desemprego involuntário e duradouro: pessoas dispostas a trabalhar pelo salário vigente, mas sem vaga, porque não há demanda suficiente para a produção que as empregaria. Não é preguiça nem exigência salarial: é falta de gasto na economia. Daí a recomendação keynesiana de que, na crise, o Estado pode sustentar a demanda, debate que aparece no clássico Hayek x Keynes.
Se a causa é falta de demanda, cortar gastos no fundo do poço pode piorar tudo, porque derruba ainda mais o que sustenta o emprego. É a lógica por trás do paradoxo da poupança: o que é prudente para uma família pode ser desastroso se todos fizerem ao mesmo tempo. Vale lembrar que essa não é a única leitura: a tradição monetarista vê limites nessa receita, tema do nosso texto sobre por que o desemprego nunca chega a zero. O quadro geral está no panorama do mercado de trabalho. Os números de desocupação são acompanhados pela PNAD Contínua, do IBGE, e pelo Ipea.
No longo prazo, estaremos todos mortos. Os economistas se dão uma tarefa fácil e inútil demais se, em tempos tempestuosos, só conseguem dizer que, passada a tormenta, o mar voltará a ficar calmo.
Perguntas frequentes
É o total de gastos que famílias, empresas e governo estão de fato dispostos a realizar na economia. Para Keynes, é a demanda efetiva que determina quanto as empresas produzem e, portanto, quantas pessoas elas contratam. Demanda fraca significa menos emprego.
É a situação de quem está disposto a trabalhar pelo salário vigente, mas não encontra vaga. Para Keynes, isso pode persistir porque falta demanda na economia, e não porque as pessoas recusam trabalho ou exigem salários altos demais.
Reduz, mas não elimina. Mesmo em crescimento sempre há alguma desocupação, ligada a quem está trocando de emprego ou cujas qualificações não batem com as vagas. Por que o desemprego nunca chega a zero é tema de outro texto deste conjunto.
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