Por que perder dói mais do que ganhar agrada?
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Perto de 4 em cada 10 ocupados estão na informalidade. A explicação institucional: formalizar custa caro. E o preço da informalidade vem no futuro, em salário e aposentadoria.
Trabalhar na informalidade é exercer uma atividade econômica fora das regras formais do trabalho: sem carteira assinada, sem contribuição à Previdência, muitas vezes por conta própria. É o vendedor ambulante, o entregador sem vínculo, a diarista sem registro, o pequeno prestador de serviço que nunca emitiu nota. Segundo a PNAD Contínua, do IBGE, isso alcança em torno de 4 em cada 10 ocupados no Brasil. Não é margem: é quase a metade do mercado.
Por que tanta gente fica de fora? A escola institucional dá a resposta mais consistente: porque entrar na formalidade custa caro e dá trabalho. Encargos, impostos, burocracia de abertura, exigências contábeis. Quando o custo de obedecer às regras é alto demais para um negócio pequeno, ele simplesmente opera por fora. Não é, na maioria das vezes, malandragem: é cálculo de sobrevivência. É o mesmo princípio que explica por que as empresas existem: a forma como os custos de transação são organizados decide o que vale a pena formalizar.
O economista peruano Hernando de Soto levou essa ideia adiante. Para ele, o problema central da informalidade não é a falta de empreendedorismo dos pobres, e sim o excesso de barreiras legais. Sem registro, o trabalhador informal não acessa crédito, não constrói histórico, não pode usar seu negócio como garantia. De Soto chamou isso de capital morto: patrimônio que existe, mas não pode girar na economia formal porque está fora do sistema de regras.
As duas coisas, em proporções que variam. Parte é involuntária: quem não encontrou emprego formal e precisa de renda. Parte é uma resposta racional a um sistema caro de formalização. O problema é que a informalidade cobra seu preço no futuro: menor produtividade, salários mais baixos, ausência de aposentadoria e mais vulnerabilidade nas crises. Por isso ela é um dos motores da desigualdade no Brasil e um nó central do mercado de trabalho dividido do país. Dados e estudos sobre o tema são acompanhados por institutos como o Ipea.
Perguntas frequentes
Segundo a PNAD Contínua, do IBGE, a informalidade alcança em torno de 4 em cada 10 ocupados. O número oscila com a economia, mas se mantém alto e estrutural há muito tempo, próximo de 40% da força de trabalho ocupada.
Na leitura institucional, porque formalizar costuma ser caro e burocrático: encargos, impostos e exigências contábeis. Para muitos negócios pequenos, o custo de obedecer às regras supera o benefício, então eles operam por fora. Para parte das pessoas, também é simplesmente a falta de uma vaga formal.
O trabalhador informal costuma ganhar menos, não acumula tempo de contribuição para a aposentadoria, não acessa crédito formal e fica mais exposto nas crises. Por isso a informalidade é um dos motores da desigualdade de renda no país.
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