Por que a escola austríaca desconfia de quem promete planejar a economia?
De Menger a Hayek, a escola austríaca parte de uma só intuição: o conhecimento que a economia precisa está disperso em milhões de cabeças, e nenhum planejador o reúne.
Todo mundo quer poupar mais e quase todo mundo adia. O viés do presente faz o agora pesar demais, e a saída é mudar o desenho da decisão, não a força de vontade.
Quase todo mundo concorda que deveria poupar mais, e quase todo mundo adia. A intenção é sincera, mas o mês que vem nunca chega. Não é falta de informação nem de vontade no abstrato: é um descompasso entre o que queremos para o futuro e o que escolhemos no presente. Esse padrão tem nome e explicação.
O viés do presente é a tendência de dar peso exagerado à recompensa imediata em relação à futura. Mil reais hoje parecem muito mais atraentes que mil e cem daqui a um ano, embora a segunda opção seja melhor. Por isso preferimos gastar agora a guardar para um benefício distante: o prazer do consumo é concreto e imediato, o da poupança é abstrato e lá na frente. É também parte do que torna tão difícil começar a investir.
É como se convivessem em nós duas pessoas: um eu planejador, que faz boas intenções para o futuro, e um eu executor, que, quando chega a hora, prefere a gratificação imediata. A poupança fracassa quando o eu planejador conta com a disciplina do eu executor, e ele falha. A saída não é se culpar, é mudar o desenho da decisão.
A estratégia mais eficaz é tirar a decisão do calor do momento: poupar no automático, com um valor debitado assim que o salário cai, antes que o eu executor coloque a mão. Programas que aumentam a contribuição junto com cada aumento de salário usam o mesmo princípio, e dialogam com os nudges da opção padrão. Investir em algo simples e de saque não imediato, como no nosso texto sobre o Tesouro Direto, também cria um atrito saudável. É a lógica geral do nosso panorama da economia comportamental: domar o viés mudando o ambiente, não a força de vontade.
Perguntas frequentes
É a tendência de dar peso exagerado às recompensas imediatas em relação às futuras. Ele faz a gente preferir gastar agora a guardar para um benefício distante, mesmo quando esperar valeria mais a pena. É uma das causas centrais da dificuldade de poupar.
Porque há um descompasso entre o eu planejador, que faz boas intenções para o futuro, e o eu executor, que, na hora, prefere a gratificação imediata. Saber o que é certo no abstrato não basta quando chega o momento de abrir mão do consumo.
Tirando a decisão do calor do momento: poupar no automático, com um valor debitado assim que o salário cai, e aumentar a contribuição junto com os aumentos. Investir em algo de saque não imediato também cria um atrito saudável. Muda-se o ambiente, não a força de vontade.
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De Menger a Hayek, a escola austríaca parte de uma só intuição: o conhecimento que a economia precisa está disperso em milhões de cabeças, e nenhum planejador o reúne.
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